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Uniban readmite Geyse, mas segue errando…

novembro 11, 2009

reitor unibanComo é possível isso? A Uniban voltar atrás e ainda assim seguir dizendo que estava certa em sua decisão? Não bastou o mundo e a opinião pública brasileira se manifestar? Não bastou? Os argumentos apresentados não foram consistentes? O que falta para os membros dirigentes da Uniban convencerem-se de que estão absolutamente errados? O que mais falta? Se a moça tivesse sido estuprada talvez se comovessem, mas seguissem afirmando que “ela provocou”, “ela pediu”, “foi o que ela quis”…

Não consigo compreender como que se revoga uma decisão, se convoca um senador Eduardo Suplicy para dar palestra sobre cidadania, se diz em entrevista coletiva à imprensa sobre a “necessidade de pensar essas questões” e ainda assim se pode dizer que o conselho NÃO ERROU?! Como isso é possível? Isso ou é maucaratismo ou é um nível de burrice intolerável da parte de um dirigente de uma universidade. Não é possível!

A atitude do MEC em recuar dá a entender que algum acordo foi negociado entre o corpo dirigente da Uniban e o MEC. Disso conclui-se que a Uniban voltou atrás, pois está em época de vestibular e havia a ameaça do MEC, então teve que recuar. Mas não porque acreditasse que estava errada, mas seja por medo das pressões do MEC seja por receio em relação à opinião pública que estava e está! em peso revoltada com os absurdos que andam acontecendo pela Uniban. O vice-reitor está preocupado em preservar a marca Uniban e de olho nas matrículas. Além disso? Nada. Necessidade de repensar essas questões? Quais? Se o vice-reitor diz que o que ocorreu não foi machismo, foi o quê? Como nomea o vice-reitor? (Nunca esquecendo que no episódio de abril deste ano o vice-reitor culpou os bares pelo incidente com a jovem que foi ferida, teve o carro destruído e está em tratamento psicológico).

O que aconteceu naquele dia, vice-reitor Ellis Wayne Brown?

Para piorar as coisas o vice-reitor ainda revogou também a suspensão para alguns dos vândalos envolvidos. Com a bela justificativa: Segundo ele, a revogação do afastamento da aluna e da suspensão de outros envolvidos foi a escolha de uma “abordagem educacional em lugar da punição disciplinar”. Lembrou disso só depois de tornado-se manchete? Lembrou da educação? Afina, revogou a suspensão por isso ou porque: “Teríamos de perguntar se puniríamos cerca de 800 alunos. Isso não resolveria o problema social”, afirmou. Bom, se o vice-reitor com essa decisão parece querer chamar para a si a responsabilidade pela reeducação dos criminosos, pois é isso realmente que são como já disseram diversos advogados (cito e indico a entrevista na TV Estadão, excelente, com a procuradora do Estado de SP, Luiza Nagib Eluf e com a Geyse). A Uniban tornou-se penitenciária agora?

Na comunidade do Orkut Apoiadores da Loira da Uniban surgiram algumas propostas de regras para o estatuto da Uniban:

Não percorrerás caminhos alternativos na ida para o banheiro. Escolherás sempre o banheiro mais próximo do contrário serás advertido(a).

Minissaias, ou mini-vestidos, especialmente da cor rosa, não serão aceitos nas rampas da Uniban.

Se outras moças a virem com roupas inadequadas e lhe advertirem considere essa adversão algo formal da própria universidade. Considere ainda sobre a possibilidade de aceitar trajes oferecidos por colegas com mais bom senso a maior retidão moral.

Não usarás calcinhas fio dental, pois isso poderá provocar alvoroços e tumultos entre os nossos bichos, digo, estudantes.

Art X: Os alunos terão um prazo maximo para subirem a rampa, e sópoderão fazer isso tendo por destino a respectiva sala, sob pena de atentar contra o ambiente escolar.

§1: Será concedido, atitulo de tolerancia aos alunos soteropolitanos da Faculdade, ou aos visitantes, um prazo maior para cobrir o percurso, com acrescimo de até 90% sobre oprazo maximo fixado.

§ Aos alunos portadores de deficiencia, ou munidos de autorização judicial não se aplicam o disposto na presente norma.

Os alunos, principalmente os do sexo masculino, devem inspecionar com rigor a postura dos alunos do sexo feminino para que se comportem de maneira adequada ao recinto. Estando esses livres para agir de forma ríspida para com os alunos do sexo feminino. O ambiente escolar deve ser preservado acima de tudo e de todos. Deve-se sempre ter em mente o bom nome da instituição e seus mais de 60 mil alunos.

Existirá alguém na Uniban sem esse perfil autoritário e intolerante como já mostraram ter TODOS os dirigentes da universidade? Mesmo assessores aconselhando que não expulsassem a moça o reitor, Heitor Pinto Filho (clique aqui para ver foto e comentário sobre reitor):

Apesar de a expulsão ter sido atribuída pela Uniban ao conselho superior da unidade, ela teria partido diretamente do reitor, Heitor Pinto Filho, descrito por funcionários como um administrador centralizador que, com frequência, ignora sugestões dos seus conselheiros.
 
Segundo pessoas que participaram das discussões sobre o futuro de Geisy Arruda, Pinto Filho rechaçou com irritação a sugestão das áreas de comunicação e publicidade da universidade para manter a aluna e realizar seminários sobre cidadania. Ontem, porém, o dirigente recuou, avaliando que teria ocorrido grande prejuízo à imagem da instituição. Ele não concedeu entrevista.

fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,assessores-haviam-desaconselhado-punicao,463989,0.shtm

O fato é que a Uniban, seus dirigentes, terão que se explicar ao Ministério Público Federal, à Delegação da Mulher de São Bernardo do Campo e:

A Comissão de Educação e Cultura aprovou nesta quarta-feira requerimento para realização de audiência pública para debater a responsabilidade das instituições de ensino superior em relação aos direitos humanos. O debate foi motivado pelo caso da Uniban, em que a aluna de Turismo Geisy Arruda precisou sair do campus escoltada pela polícia após ser hostilizada e xingada por causa do vestido que usava.

fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4095226-EI7896,00-Camara+realiza+audiencia+publica+sobre+o+caso+Uniban.html

Terão que explicar com clareza a decisão de expulsar a moça e depois voltar atrás por causa de pressão da opinião pública.

Abaixo cito um link com imagens de Geyse na rampa. Vejam aí as mentiras que contaram sobre ela estar levantando o vestido e etc.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1373959-5605,00.html

A UNIBAN é Suazilândia?

novembro 9, 2009
estuproMuita gente diz que é errado comparar o caso de Geyse com casos de estupro, mas será que é mesmo? Porque a justificativa é a mesma dos estupradores, a estratégia de por a culpa na vítima é a mesma: ela provocou, ela pediu, ela não se deu o respeito, ela usou saia curta, etc. A estratégia é sempre a mesma: investigar a pessoa para avaliar seu caráter. Se ficar provado que a pessoa não era “digna”, não se “respeitava”, então está aí a justificativa para as atrocidades.
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Como bem diz Reinaldo Azevedo no seu blog, o título do post é “GEISY É EXPULSA DA UNIBAN. BARBÁRIE FASCISTÓIDE! MULHERES DO BRASIL, UNAM-SE CONTRA O “DIREITO AO ESTUPRO”:
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Estamos de volta ao país de Ângela Diniz, que os mais jovens nem devem saber quem é. Vale uma pequena pesquisa sobre a “Pantera de Minas”, assassinada por seu namorado, que foi absolvido (o julgamento depois foi revisto). Acusação: Ângela se comportava como “puta”. Ficou famosa uma frase dita pelo advogado de Doca Street, o assassino: “Ela vivia mais na horizontal do que na vertical”. Esmagava-se a reputação da vítima para poder inocentar o seu algoz. É o que faz o tal advogado da Uniban — que, Santo Deus!, também ministra um curso de Direito.
A um passo do estupro: pessoas (sic) que já não respeitam mais outro ser humano, autoridades (seguranças, professores, policiais – nada nem ninguém serviu para frear a turba! seguiram xingando e considerando o absurdo que fizeram correto!) estão a um pequeno passo de fazer o que há de pior.
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Cito matéria do site do governo de combate à AIDS (reparem e notem se as justificativas não são as mesmas), 28 de setembro de 2004:
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(…) O caso é polêmico. Na semana passada, dois motoristas foram detidos pela polícia na cidade de Manzini depois de terem violentado uma estudante de 18 anos que usava minissaia. Segundo testemunhas, os motoristas rasgaram a roupa da jovem para conseguir estuprá-la.
Ontem, cerca de mil mulheres fizeram um protesto contra o ataque. Na manifestação, elas encontraram um grupo de motoristas que prometia abusar sexualmente das passageiras, caso elas se vestissem “de forma inadequada”.
“Vamos ensiná-las o que é respeito”, afirmou Simon Ndwandwe, um motorista de Manzini. Outro condutor, identificado apenas como Lizandza, foi contundente: “As mulheres que usam minissaias dentro de um ônibus querem ser violadas. E nós lhe daremos o que elas querem”.
No início do ano, os motoristas de ônibus da Suazilândia proibiram as mulheres de usarem minissaias, alegando que a roupa os distraia e os incitava a ter pensamentos lascivos. (…)
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Sobre assunto também é interessante a leitura deste texto, que mostra bem a conduta de juízes em casos de estupro. Como nesses casos o depoimento da vítima é muito importante, então o juiz muitas vezes se acha no direito de investigar sobre a vida particular da vítima para descobrir se ela está mentindo ou não, se é uma pessoa íntegra ou não, etc. Aí vai o resumo:
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Crime de estupro e sua vítima: a discriminação da mulher na aplicação da pena.
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Neste trabalho pretendemos abordar sentenças penais prolatadas em casos de crimes de estupro o crime de estupro, por ser de difícil comprovação, deveria ter como meio de prova principal a palavra da vítima. Todavia, de acordo com nossa pesquisa de ampo analisando 15 sentenças criminais prolatadas por juízes de 1˚ instância da comarca de Maceió-AL, a vítima mulher somente é merecedora de confiança quando tem um comportamento social dito como aceitável, observando-se com maior frequência as características pessoais dos envolvidos do que as próprias circunstâncias nas quais o delito foi cometido. Desta forma, o processo penal reproduz a violência de gênero. A análise de comportamento que é feita pelos operadores jurídicos, sobretudo o juiz, instaura no processo criminal um processo de classificação de vítimas, onde algumas são merecedoras de respeito e outras deram motivo a violência, e por isso mereceram sofrer a agressão. Fomenta-se então a discriminação, principalmente da mulher, que deveria ter agido de acordo com o seu papel social esperado, nem sempre desejado, ou seja, deveria ter ficado restrita ao privado, ao invés de se aventurar no meio público, que à ela nao pertence, e propaga-se a errônea concepção de um mundo justo, onde recebemos aquilo que merecemos.
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Texto completo aqui.
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Nada adiantou para conter o linchamento moral tanto por parte da turba quanto por parte do conselho superior da UNIBAN, que por meio desta nota divulgada em diversos jornais de grande circulação do país mostrou seus “motivos” publicamente.
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A universidade UNIBAN não se contentou de colocar a nota em seu site. Preferiu pagar para exibir seu fiasco nos principais jornais. E a peça que levam à público é um verdadeiro fiasco, uma palhaçada sem limites. A parte que trata dos “fatos” é uma vergonha!
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A aluna fez percurso maior ao se dirigir ao toalete, a aluna posou para fotos, a aluna se recusou a usar short, a aluna na sindicância demonstrou oscilação entre euforia e desinteresse… Que isso? Alguém vai para um jornal divulgar ISSO? Tem a cara de pau de cometer essa vergonha pública? E ainda paga por isso? Interessante notar é “depoimento de colegas indicam que…”. Colegas aí refere-se aos bichos que a humilharam. Os bichos procurando dar suas justificativas para o seu crime e a universidade acatando.
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Faltou avisar ao conselho superior da UNIBAN que ele não pode expulsar uma aluna com uma simples sindicância, como bem disse um advogado constitucionalista ontem no Fantástico e hoje no Bom dia Brasil, Pedro Estevam Serrano. As regras internas da UNIBAN não podem se sobrepor às leis vigentes do país. Leis essas que lhe garantem o direito ao contraditório, a ampla defesa, etc.
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Qual o resultado de todo o fiasco cometido pela UNIBAN? Mais manifestações de indignação. O caso chegou a ter repercussão fora do país em jornais como Guardian e New York Times versão online.
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A UNE (União Nacional dos Estudantes) por meio do seu presidente bateu na mesma tecla em nova nota de repúdio (além de prometer manifestação!):
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“É como nos casos em que se responsabiliza a vítima de um assalto por estar segurando a carteira, ou se diz que uma mulher é culpada quando sofre um assédio ou abuso por causa da sua roupa. Isso nos parece lamentável”
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A ministra Nilcea Freire novamente, completamente ignorada no seu pedido do dia 04 de novembro voltou a se manifestar dizendo:
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Nilcéa condenou a decisão de expulsar a universitária e disse que a atitude da escola demonstra “absoluta intolerância e discriminação”. “Isso é um absurdo. A estudante passou de vítima a ré. Se a universidade acha que deve estabelecer padrões de vestimenta adequados, deve avisar a seus alunos claramente quais são esses padrões”, disse a ministra à Agência Brasil, ao chegar para participar do seminário A Mulher e a Mídia.
Segundo a ministra, a ouvidoria da SPM já havia solicitado à Uniban explicações sobre o caso, inclusive perguntando quais medidas teriam sido tomadas contra os estudantes que hostilizaram a moça. Amanhã (9), a SPM deve publicar nova nota condenando a medida e provocando outros órgãos de governo como o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério da Educação (MEC) a se posicionarem.
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http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/11/08/materia.2009-11-08.0104950388/view
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Assine aqui a Petição de Repúdio à decisão da UNIBAN:
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http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html
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Vamos continuar acompanhando jornais, revistas, rádios, blogs, twitter, orkut para ver o desfecho final do caso.