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Uniban voltou atrás!

novembro 10, 2009

burca geyseO reitor da UNIBAN revogou ontem a decisão de expulsar a aluna Geyse Arruda. Motivos? Ninguém sabe, nem o assessor jurídico – que comentam muito vagamente ontem, segunda-feira, no programa Superpop da Rede TV que teria pela pressão dos jornais nacionais, internacionais movimentos feministas, educadores, etc. Só se sabe, de fato, que o reitor resolveu ir contra o Conselho Superior da UNIBAN, ignorando completamente as conclusões a que chegou a sindicância instaurada dia 29 de outubro. As perguntas que ficam são: Por que não fez isso antes? Precisou deixar chegar onde chegou? O reitor não viu onde isso iria chegar? Não sentiu? Mesmo vendo que intelectuais, instituições, organizações, autoridades se manifestavam contrários ainda assim decidiu permitir que se tomasse a decisão que a sindicância tomou? E agora como explicar para a sociedade brasileira essa volta atrás? O Conselho Superior se equivocou completamente? A sindicância foi de fato uma caça às bruxas? A UNIBAN parou e fez uma auto-crítica finalmente? (Não parece, porque o assessor jurídico segue defendendo os “argumentos” para expulsão de Geyse). O reitor fez a auto-crítica, mas o Conselho Superior, não? O que a UNIBAN realmente pensa sobre a questão? O reitor demitirá todo o Conselho Superior que levou à destruição quase completa da imagem (marca) da UNIBAN na sociedade? A decisão foi motivada por pressão de políticos? Por pressão de marketeiros? E agora, que mensagem o reitor dará aos seus 60 mil alunos?  Em que a decisão afetará no compromisso com seus 60 mil alunos? O que significa a declaração do assessor jurídico de que o reitor teria se manifestado como “pessoa física”?

Espero que essas perguntas, ou algumas delas sejam respondidas na entrevista que o reitor da UNIBAN, Heitor Pinto Filho, prometeu dar hoje, terça-feira. Essa foi a primeira vitória de Geyse desde que foi brutalmente hostilizada no dia 22 de outubro! Comemorada pelos membros da comunidade dos apoiadores da Loira da Uniban no Orkut. Tem gosto de vitória, porque mesmo não sendo de fato, porque a decisão foi estapafurdia, porém o gesto fez com que Geyse ganhasse força e se recuperasse do choque de ter sido linchada pela própria universidade onde estuda(ava).

Breve parênteses: Soninha estava ótima ontem no programa Superpop (vídeo ainda não disponível no site do programa – mas assim que estiver colocarei o link aqui). Muito clara, objetiva rebatia todos os comentários do assessor jurídico da Uniban, Décio Lecioni Machado, e de alunos da Uniban que estavam no programa e insistiam em defender que Geyse estava errada. Destaco um momento quando Soninha diz à Décio (como me recordo): “Ele diz que não há justificativa para o que os alunos fizeram  e no momento seguinte segue dizendo que a aluna empinou o bumbum, fez isso e aquilo. Então ele está dando as justificativas! Ele está fazendo realmente isso (que disse que não faria)!”.

O fato que deixa todos perplexos é que mesmo OAB, MEC, ministério público, ministra Nilcea Freire (reinteradamente), ONG’s feministas e em defesa dos direitos das mulheres, além de intelectuais, jornalistas entre tantos outros serem absolutamente contrários ao que ocorreu na UNIBAN (desde o linchamento moral até a expulsão da aluna) ainda assim muitos alunos da UNIBAN segue defendendo que a menina não se portou adequamente, que provocou, que foi ousada, vulgar, que não se vestiu de acordo com o ambiente e ainda teve sua parcela de responsabilidade no ocorrido. Ou seja, esses alunos simplesmente ignoram completamente todo e qualquer argumento produzido, não pararam para refletir com seriedade na sua atitude e no que estão defendendo. Parece um duelo entre civilização e bárbaros onde os bárbaros crêem ser possível defender com argumentos seu barbarismo. Infelizmente, os tais linchadores ou apoiadores dos linchadores não estão abertos ao diálogo democrático e franco. Seguem dizendo que: a moça não se deu o devido respeito, que os alunos podem estar errados (notem: muitos admitem somente uma pequena parcela de culpa por parte dos animais), mas que a moça é sem dúvida responsável. Tanto pelo linchamento quanto por manchar o “bom” nome da universidade (esquecem-se muito facilmente que foram eles mesmos que 1) praticaram o linchamento, 2) puseram vídeos no youtube divulgando sua “obra prima” de terror – por que não admitem a SUA culpa em MANCHAR a imagem da universidade? Isso ninguém sabe). O que fazer com esses alunos? Expulsá-los como fizeram com Geyse? Não, creio que não. Mas como disse o educador Mário Sérgio Cortella, falando sobre a expulsão de Geyse, esse é um ótimo momento para educá-los. Promover seminários, oficinas, semanas onde advogados, filósofos, feministas, especialistas em questões de gênero possam palestrar, debater, informar esses alunos, pois eles estão claramente desorientados. As palavras respeito, tolerância, misoginia, não possui o mesmo significado que para nós que defendemos a civilização e seus valores.

Vejam aqui os alunos ontem vaiando os manifestantes da UNE e de ONG’s feministas (e até Sabrina Sato que compareceu de minissaia rosa).

Nesta outra matéria aqui vemos como são raros os alunos na UNIBAN que sejam de fato contrários aos absurdos e arbitraridades da UNIBAN. Muitas meninas de 18 anos defendendo valores mais antigos que seus avós sem fazer qualquer tipo de crítica ou reflexão. Lamentável, assustador.

O que a Uniban fará em relação à isso?

Quem sabe começar lendo a carta que a jornalista Ana Paula Padrão escreveu ontem à Geyse?

Ou sigam a sugestão de Contardo Calligaris: E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de “Zorba, o Grego“, com redação obrigatória no fim?

Deixe um comentário com sua sugestão.

Uniban expulsa Geyse!

novembro 8, 2009
repudio a unibanAqui neste link há o texto na íntegra, a nota publicada pela UNIBAN dando seus motivos para ter expulsado a aluna.
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O título da nota que sairá amanhã em vários grandes jornais se chama: “A educação se faz com atitude e não com complacência“.
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Esse título nos faz pensar que educação é essa que a UNIBAN tanto se orgulha de dar a seus alunos? Com esse episódio o ensino foi que é legítimo cometer violência contra as mulheres caso elas se comportem de maneira “errada”: seja por meio de roupas ou gestos. A UNIBAN está ensinando intolerância, desrespeito, sexismo, machismo, misoginia aos seus alunos. Ninguém quer da UNIBAN complacência, se quer justiça, se quer que se respeite a Constituição. Se quer que o machismo acabe de vez neste país e as mulheres deixem de ser perseguidas por terem os corpos que têm e vestir a roupa que vistam.
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Geyse fez uma interrogação muito apropriada ao ficar sabendo da expulsão:
“E se eu tivesse sido estuprada eu também seria expulsa? Eles agem que nem vândalos e eu sou expulsa? Isso só pode ser idade média”.
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Gostaria de saber quem irá responder a essa dúvida? O assessor jurídico? O vice-reitor que põe a culpa da violência nos bares? Ou quem sabe o reitor, candidato a vice-prefeito de São Paulo com Maluf? Quem será? Quem terá a coragem?
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Mas todos já sabíamos que seria essa a decisão da UNIBAN. Não sabíamos?
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No dia que Geyse foi até a UNIBAN para dar seu depoimento na sindicância instaurada o advogado de Geyse, Nehemias Domingos de Melo, já havia reclamado do tipo de interrogatório que foi feito ali:
“A todo tempo, as perguntas dirigidas a Geisy demonstravam mais preocupação em saber detalhes de sua vida pessoal do que o esclarecimento dos fatos”
“se assemelhava, em tudo (..) com o procedimento adotado pela Santa Inquisição” pela repetição de perguntas que, segundo ele, tinha o objetivo de levar a Geyse a cair em contradição”.
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Depois disso, na quinta-feira, houve o programa Superpop, da rede TV. Neste programa o assessor jurídico da UNIBAN, Décio Lecioni Machado, aparece dizendo que tudo será apurado na sindicância, que alunos serão ouvidos, professores e funcionários e devidamente punidos. Diz ainda que: “por que naquele dia, por que com ela, por quê, qual é a CAUSA? Tem que haver uma causa“.
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Obviamente, que sabemos todos a causa que ele gostaria de encontrar e que encontrou. Que outra causa ele acharia? Senão culpá-la? Essa “causa” a maioria das pessoas que levantou suspeitas sobre a Geyse também encontrou. Mesmo sem perceber que essa suposta “causa” é o que existe de mais antigo para legitimar estupros e violências contra as mulheres.
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Revoltante notar a diferença de punições:
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1. Desligar a aluna Geisy Vila Nova Arruda, do quadro de alunos da instituição em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, a dignidade acadêmica, e a moralidade.
2. Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos e deviudamente identificados no incidente.
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Para os alunos animais uma suspensão temporária e para Geyse todo o rigor possível. Mais um linchamento. Agora da universidade. No dia 22 de outubro a universidade deixou Geyse à mercê dos vândalos e agora ela própria aproveita para cometer o barbarismo. Ignorando provavelmente o texto da ministra Nilcea Freire e de tantos outros que se manifestaram contra e exigiram uma punição séria.
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Vergonha, horrível, assustador! Concordo e muito com o presidente do PT, Ricardo Berzoini,  quando diz no seu twitter:
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E os fascistas que quase lincharam a moça? Só uma suspensão?
Que tipo de ensinamento é esse? Valorizar o machismo e o sexismo? Preconceito atrasado? Saia curta é crime?
Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula. Uma universidade dessas merece ser fechada. Fascismo puro.
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Que fim esperar em meio a tanto reacionarismo? Tanto machismo, sexismo, misoginia? Em meio a tanta intolerância, falta de civilidade e respeito ao outro?

Termino com um comentário tirado do blog de Josias de Souza, da Folha e um link:

Afora a expulsão de Geyse, nenhuma outra providência foi adotada. Os colegas que a hostilizaram saíram incólumes da sindicância.

A universidade só teve olhos para o par de pernas. No mais, fez ouvidos moucos para os uivos e impropérios da legião de bocas desabridas.

Aluna com vestido curto não pode. Estudantes com comportamento de talibãs são admitidos. A decisão ainda vai dar muito pano para a barra.

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Blog de Marcos Guterman, “Uniban e o linchamento moral: a culpa é da vítima“.

responsabilidade educacional

Apoio político: Ministra Nilcéa Freire e UNE se manifestam

novembro 6, 2009

Agora o caso está ganhando as devidas proporções. Iniciou-se no youtube, blogs, chegou à mídia e agora o órgão de representação dos estudantes em nível nacional (UNE) e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres por meio da ministra Nilcéa Freire se manifestam sobre o caso e exigem providências. Destaco dois trechos do que foi dito ou escrito:

Trecho da nota divulgada pela UNE: (nota completa aqui)

Não toleramos comentários que digam que a estudante  “deu motivo” para ser agredida. Nenhuma mulher deve ser vítima de violência, nem por conta da roupa que usa nem por qualquer outra condição. Nada justifica a violência contra a mulher. 

Alerta dado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), em ofício enviado pela ministra Nilcéa Freire, nesta terça-feira (3/11), a órgãos e entidades que possuem interface com o caso que chocou o país, no qual uma estudante universitária teria sido discriminada pelos colegas por causa da roupa que usou no dia 22 de outubro para assistir às aulas:

“Justificar qualquer crime ou mesmo discriminação contra a mulher só faz propagar a cultura sexista de gênero, pois afasta a culpa dos agressores, transmitindo-a a fatores secundários como o uso inadequado de roupas, comportamento provocativo ou ainda à conduta da mulher”.

 E por fim o trecho de uma notícia colhido no site da revista Fórum e que está pessoalmente me incomodando muito:

Mesmo depois da repercussão midiática, estudantes da universidade continuam afirmando à imprensa que não estavam errados ao xingar a garota por ela usar um vestido considerado por eles excessivamente curto.

Quero saber quem mais precisará se pronunciar para que esses animais percebam seu equívoco imenso. Não percebem nem que erraram, nem a dimensão daquilo que fizeram. Consideram exagero, que estão sendo mal julgados, condenados hipocritamente, que a imagem do curso está sendo manchada, enquanto que a única culpada está saindo por cima, nas suas medíocres opiniões e pensamentos. A civilização não chegou para essas pessoas. Como bem diz o professor Luciano Alvarenga neste vídeo do youtube: “um mp3player na mão e idéias reacionárias na cabeça” (mais de 200 mil visualizações!).

Apoiadores da Loira da UNIBAN (alguns textos)

novembro 5, 2009

Este blog tem o intuito de pesquisar e divulgar informações vinculadas na mídia ou em blogs, orkut, twitter, sobre a “loira da UNIBAN”, a estudante Geisy Arruda que no dia 22 de outubro foi fortemente hostilizada por uma massa de revoltosos. Motivo? Foi à universidade com vestido curto rosa.

Alguns blogs e jornais informaram e analisaram de maneira muito sensata e séria o que aconteceu. Cito alguns:

Rosana Hermann do blog Querido Leitor, A aluna da Uniban: (interessante que ela cita um filme antigo que foi refilmado e hoje se chama “A onda“, filme alemão – .

http://blogs.r7.com/querido-leitor/2009/10/30/a-aluna-da-uniban/

O jornalista Eduardo Marini tocou no ponto chave ao comentar no seu blog. Todos só falam em estética, em etiqueta e deixam o ponto chave de lado.

http://blogs.r7.com/eduardo-marini/2009/11/05/um-pouco-mais-sobre-a-violencia-contra-a-moca-do-vestido-curto/

O jornalista polemista Reinaldo Azevedo da Veja escreveu um texto muito bom no seu blog sobre o acontecimento (falando sobre respeito, tolerância) e a persistência dos alunos em seguir ameaçando a moça e querendo culpá-la por algo que eles próprios fizeram (primeiro dizendo que ela que “provocou” e depois acusando-a de manchar o nome da universidade). O nome do texto se chama “De homens e chimpanzés”. O texto ainda contém uma crítica muito pertinente ao psiquiatra e educador Içami Tiba que parece defender a reação dos animais e culpar a moça por ter escolhido mal a peça de roupa.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/de-homens-e-chimpanzes/

Interessante notar ainda a diferença de cobertura entre a Record e a Globo. No Fantástico o caso de Geisy aparece, mas muito superficialmente. Foi chamada uma consultora de etiqueta Glória Kalil para comentar o acontecimento e depois chamaram uma enquete por telefone para ver se as pessoas concordavam ou não com a roupa usada. Será que as pessoas concordavam ou não com o linchamento moral? Isso nem se falou! Esqueceu-se de perguntar à consultora de etiqueta que roupa é mais adequada para se ser linchado. Além disso o Fantástico foi o único programa que foi autorizado a filmar por dentro as instalações do prédio e ainda a entrevistar o vice-reitor que disse que não achava ser o caso expulsar alguém. Curioso que o jornalista ficou calado e não perguntou mais nada, não pressionou, nada! Incrível!

Confiram abaixo a diferença entre Fantástico e Record (como a moça não deu exclusividade à Globo, então apareceu assim):

http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/mae-de-estudante-hostilizada-diz-que-nao-dorme-nem-come-direito-20091101.html (Record)

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1363048-15605,00.html (Fantástico)

Aqui um texto bem interessante que saiu no Estadão, de Débora Diniz, antropológa analisando o caso, O urro ancestral da faculdade injuriada:

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-urro-ancestral-da-faculdade-injuriada,459621,0.htm

Glória Kalil consultora de moda e etiqueta chegou a publicar um texto em seu site falando do caso, mas ainda assim segue falando que as roupas emitem sinais. Ficamos em dúvida querendo saber: o vestido rosa de Geyse emitiu que sinal? “Venham e me estuprem”? “Venham e me linchem”? O texto se chama “É proibido proibir”.

http://chic.ig.com.br/materias/517001-517500/517150/517150_1.html

Daniel