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Uniban expulsa Geyse!

novembro 8, 2009
repudio a unibanAqui neste link há o texto na íntegra, a nota publicada pela UNIBAN dando seus motivos para ter expulsado a aluna.
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O título da nota que sairá amanhã em vários grandes jornais se chama: “A educação se faz com atitude e não com complacência“.
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Esse título nos faz pensar que educação é essa que a UNIBAN tanto se orgulha de dar a seus alunos? Com esse episódio o ensino foi que é legítimo cometer violência contra as mulheres caso elas se comportem de maneira “errada”: seja por meio de roupas ou gestos. A UNIBAN está ensinando intolerância, desrespeito, sexismo, machismo, misoginia aos seus alunos. Ninguém quer da UNIBAN complacência, se quer justiça, se quer que se respeite a Constituição. Se quer que o machismo acabe de vez neste país e as mulheres deixem de ser perseguidas por terem os corpos que têm e vestir a roupa que vistam.
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Geyse fez uma interrogação muito apropriada ao ficar sabendo da expulsão:
“E se eu tivesse sido estuprada eu também seria expulsa? Eles agem que nem vândalos e eu sou expulsa? Isso só pode ser idade média”.
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Gostaria de saber quem irá responder a essa dúvida? O assessor jurídico? O vice-reitor que põe a culpa da violência nos bares? Ou quem sabe o reitor, candidato a vice-prefeito de São Paulo com Maluf? Quem será? Quem terá a coragem?
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Mas todos já sabíamos que seria essa a decisão da UNIBAN. Não sabíamos?
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No dia que Geyse foi até a UNIBAN para dar seu depoimento na sindicância instaurada o advogado de Geyse, Nehemias Domingos de Melo, já havia reclamado do tipo de interrogatório que foi feito ali:
“A todo tempo, as perguntas dirigidas a Geisy demonstravam mais preocupação em saber detalhes de sua vida pessoal do que o esclarecimento dos fatos”
“se assemelhava, em tudo (..) com o procedimento adotado pela Santa Inquisição” pela repetição de perguntas que, segundo ele, tinha o objetivo de levar a Geyse a cair em contradição”.
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Depois disso, na quinta-feira, houve o programa Superpop, da rede TV. Neste programa o assessor jurídico da UNIBAN, Décio Lecioni Machado, aparece dizendo que tudo será apurado na sindicância, que alunos serão ouvidos, professores e funcionários e devidamente punidos. Diz ainda que: “por que naquele dia, por que com ela, por quê, qual é a CAUSA? Tem que haver uma causa“.
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Obviamente, que sabemos todos a causa que ele gostaria de encontrar e que encontrou. Que outra causa ele acharia? Senão culpá-la? Essa “causa” a maioria das pessoas que levantou suspeitas sobre a Geyse também encontrou. Mesmo sem perceber que essa suposta “causa” é o que existe de mais antigo para legitimar estupros e violências contra as mulheres.
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Revoltante notar a diferença de punições:
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1. Desligar a aluna Geisy Vila Nova Arruda, do quadro de alunos da instituição em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, a dignidade acadêmica, e a moralidade.
2. Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos e deviudamente identificados no incidente.
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Para os alunos animais uma suspensão temporária e para Geyse todo o rigor possível. Mais um linchamento. Agora da universidade. No dia 22 de outubro a universidade deixou Geyse à mercê dos vândalos e agora ela própria aproveita para cometer o barbarismo. Ignorando provavelmente o texto da ministra Nilcea Freire e de tantos outros que se manifestaram contra e exigiram uma punição séria.
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Vergonha, horrível, assustador! Concordo e muito com o presidente do PT, Ricardo Berzoini,  quando diz no seu twitter:
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E os fascistas que quase lincharam a moça? Só uma suspensão?
Que tipo de ensinamento é esse? Valorizar o machismo e o sexismo? Preconceito atrasado? Saia curta é crime?
Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula. Uma universidade dessas merece ser fechada. Fascismo puro.
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Que fim esperar em meio a tanto reacionarismo? Tanto machismo, sexismo, misoginia? Em meio a tanta intolerância, falta de civilidade e respeito ao outro?

Termino com um comentário tirado do blog de Josias de Souza, da Folha e um link:

Afora a expulsão de Geyse, nenhuma outra providência foi adotada. Os colegas que a hostilizaram saíram incólumes da sindicância.

A universidade só teve olhos para o par de pernas. No mais, fez ouvidos moucos para os uivos e impropérios da legião de bocas desabridas.

Aluna com vestido curto não pode. Estudantes com comportamento de talibãs são admitidos. A decisão ainda vai dar muito pano para a barra.

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Blog de Marcos Guterman, “Uniban e o linchamento moral: a culpa é da vítima“.

responsabilidade educacional