Uniban expulsa Geyse!

repudio a unibanAqui neste link há o texto na íntegra, a nota publicada pela UNIBAN dando seus motivos para ter expulsado a aluna.
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O título da nota que sairá amanhã em vários grandes jornais se chama: “A educação se faz com atitude e não com complacência“.
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Esse título nos faz pensar que educação é essa que a UNIBAN tanto se orgulha de dar a seus alunos? Com esse episódio o ensino foi que é legítimo cometer violência contra as mulheres caso elas se comportem de maneira “errada”: seja por meio de roupas ou gestos. A UNIBAN está ensinando intolerância, desrespeito, sexismo, machismo, misoginia aos seus alunos. Ninguém quer da UNIBAN complacência, se quer justiça, se quer que se respeite a Constituição. Se quer que o machismo acabe de vez neste país e as mulheres deixem de ser perseguidas por terem os corpos que têm e vestir a roupa que vistam.
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Geyse fez uma interrogação muito apropriada ao ficar sabendo da expulsão:
“E se eu tivesse sido estuprada eu também seria expulsa? Eles agem que nem vândalos e eu sou expulsa? Isso só pode ser idade média”.
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Gostaria de saber quem irá responder a essa dúvida? O assessor jurídico? O vice-reitor que põe a culpa da violência nos bares? Ou quem sabe o reitor, candidato a vice-prefeito de São Paulo com Maluf? Quem será? Quem terá a coragem?
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Mas todos já sabíamos que seria essa a decisão da UNIBAN. Não sabíamos?
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No dia que Geyse foi até a UNIBAN para dar seu depoimento na sindicância instaurada o advogado de Geyse, Nehemias Domingos de Melo, já havia reclamado do tipo de interrogatório que foi feito ali:
“A todo tempo, as perguntas dirigidas a Geisy demonstravam mais preocupação em saber detalhes de sua vida pessoal do que o esclarecimento dos fatos”
“se assemelhava, em tudo (..) com o procedimento adotado pela Santa Inquisição” pela repetição de perguntas que, segundo ele, tinha o objetivo de levar a Geyse a cair em contradição”.
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Depois disso, na quinta-feira, houve o programa Superpop, da rede TV. Neste programa o assessor jurídico da UNIBAN, Décio Lecioni Machado, aparece dizendo que tudo será apurado na sindicância, que alunos serão ouvidos, professores e funcionários e devidamente punidos. Diz ainda que: “por que naquele dia, por que com ela, por quê, qual é a CAUSA? Tem que haver uma causa“.
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Obviamente, que sabemos todos a causa que ele gostaria de encontrar e que encontrou. Que outra causa ele acharia? Senão culpá-la? Essa “causa” a maioria das pessoas que levantou suspeitas sobre a Geyse também encontrou. Mesmo sem perceber que essa suposta “causa” é o que existe de mais antigo para legitimar estupros e violências contra as mulheres.
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Revoltante notar a diferença de punições:
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1. Desligar a aluna Geisy Vila Nova Arruda, do quadro de alunos da instituição em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, a dignidade acadêmica, e a moralidade.
2. Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos e deviudamente identificados no incidente.
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Para os alunos animais uma suspensão temporária e para Geyse todo o rigor possível. Mais um linchamento. Agora da universidade. No dia 22 de outubro a universidade deixou Geyse à mercê dos vândalos e agora ela própria aproveita para cometer o barbarismo. Ignorando provavelmente o texto da ministra Nilcea Freire e de tantos outros que se manifestaram contra e exigiram uma punição séria.
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Vergonha, horrível, assustador! Concordo e muito com o presidente do PT, Ricardo Berzoini,  quando diz no seu twitter:
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E os fascistas que quase lincharam a moça? Só uma suspensão?
Que tipo de ensinamento é esse? Valorizar o machismo e o sexismo? Preconceito atrasado? Saia curta é crime?
Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula. Uma universidade dessas merece ser fechada. Fascismo puro.
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Que fim esperar em meio a tanto reacionarismo? Tanto machismo, sexismo, misoginia? Em meio a tanta intolerância, falta de civilidade e respeito ao outro?

Termino com um comentário tirado do blog de Josias de Souza, da Folha e um link:

Afora a expulsão de Geyse, nenhuma outra providência foi adotada. Os colegas que a hostilizaram saíram incólumes da sindicância.

A universidade só teve olhos para o par de pernas. No mais, fez ouvidos moucos para os uivos e impropérios da legião de bocas desabridas.

Aluna com vestido curto não pode. Estudantes com comportamento de talibãs são admitidos. A decisão ainda vai dar muito pano para a barra.

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Blog de Marcos Guterman, “Uniban e o linchamento moral: a culpa é da vítima“.

responsabilidade educacional

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12 Respostas to “Uniban expulsa Geyse!”

  1. Camila Says:

    Infelizmente é muitto mais fácil (e dá menos prejuízo!) expulsar ma aluna do q expulsar as dezenas de imbecis q provocaram o tumulto. Se os trajes da menina não eram adequados, ela devia levar uma advertência, da direção. E não ser ameaçada de estupro e ainda termos q ouvir “q talvez ela merecesse isso”. Q tristeza saber q jovens universitários como eu são tão dispensáveis

  2. William Says:

    Inacreditável ela ser expulsa, a Uniban atestou um ato totalmente anti-etico, confirmaram que eles não possuem capacidade para o ensino superior, inacreditável existir seres humanos que concordem com as atitudes dos alunos, dos professores (alguns), dos seguranças e agora dos diretores da instituição.

    Torço muito por ela, o lado bom da história é que ela terá que estudar em outra instituição de ensino.

  3. Não há segundas oportunidades para as «putas» | Bitaites Says:

    […] aluna [Escreva, Lola, Escreva] | Unitaliban: o total fracasso da Educação [Desemburrecendo] |  Uniban expulsa Geyse! [Apoiadores da Loira da Uniban] « É preciso ter muita sorte Post nº 2471 […]

  4. Helois Says:

    ESTOU IMPRESSIONADA COM ESSE BANDO DE ESTRUPADORES SELVAGENS, SIM POR QUE POR POUCO NAO ESTRUPARAM A MOÇA, O QUE MAIS IMMPRESSIONA SAO AS ATITUTES DA MULHERES QUE DEVERIAM PROTEDGER A MOÇA, PORQUE AMANHA QUALQUER ESTRUPO COM OUTRAS MULHERES ELAS QUE SERAAO CONDENADAS E OS E STRUPADORES SELVAGENS VAO PASSAR POR VITIMAS, ONDE ESTAMOS EM ALGUM PAIS MUÇULMANOS ONDE SE APLICA A SARIA, OU NA IDADE MEDIEVAL O QUE FALTA FAZER MAIS COM OUTRAS MULHERES APEDREJA LAS E CULPAS PO RTEREM SIDO APEDREJADAS, O QUE SE ESPERA DESSE BANDO DE MARGINAIS DESSA UNIBAND, SINCERAMENTE NAO QUERO SEM PASSAR PERTO , SO DE PENSAR O QUE ESA MOÇA SOFREU FICO ANGUSTIADA, TENHO VONTADE DE PEDIR SOCORRO, ….. uM EPISODIO QUE NAO DEVE E NAO PODE SER ESQUECIDO E QUE ESSE EPISODIO SIRVA E SEJA LEMBRADO DURANTE ANOSE E ANOS NO B RASIL PARA QUE ISSO NAO SE REPITA, INCLUSIVE DEIXO AQUI ESSA IDEIA, QUE ESSA DATA NAO SEJA ESQUECIDA

  5. Rodrigo Says:

    eu acho que se eles tivessem estuprado a garota, estariam perdidos, nem na cadeia se aceita tal atitude…isso que vimos aki…é a representação de machismo e preconceito…ninguem nesse mundo tem o direto de humilhar ninguem..e duvido que a diretora ou alguma professora nunca tenha vestido uma roupa daquelas, acho que num país tão acolhedor como o Brasil..um país tropical de praias e tantas lindas e um país tão quente…não sonharia que um dia pudesse acontecer tal conspiração de colegas sem educação contra uma garota que se vestia como qualquer garota brasileira normal…

  6. Rodrigo Says:

    nem na cadeia se aceita tal atitude desumana q foi cometida..e a siciedade tanbem não aceita..imagine como deve ter ficado a abeça e o estado psicologico da garota depois de ter passado por tal humilhação…quem vai tirar esse trauma da cabeça da garota depois heim..algo que pode ficar marcado na memoria pro resto da vida !! que absurdo

  7. Carolina Says:

    Eu também apóio. Chega de declarações insanas e misóginas que prejudicam todas as mulheres. Essa faculdade tem que ser fechada e seus alunos vândalos e os dirigentes coniventes indiciados criminalmente. Quem essa gente pensa que é fazendo “patrulha moral”? Criminosos!

  8. Edson Bueno de Camargo Says:

    Qual o decoro estabelecido para uso de roupas. Ponderemos: em países islâmicos, de rígidos costumes morais e pouco respeito às mulheres, a roupa ideal é a burca, e suas variações, que começam por cobrir sempre a cabeça, ou o corpo todo. Cada povo tem seu costume, e não serei eu que dirá o que é certo ou errado. Mas os que estes países tem em comum é o fato de serem muito pouco democráticos e onde o estado de direito é muito pouco respeitado. alguns grupos acreditam-se no direito de intervir na vida de todas as pessoas, países como a Arábia Saudita sequer tem uma constituição e é uma monarquia absolutista e medieval, das que desapareceram do mundo ocidental após a Revolução Francesa.

    Costumes com vestimentas mudam com o tempo, antes de 1800, uma mulher decente jamais usaria uma calcinha, coisa de mulher mundana, botões nem pensar, as roupas eram quase que costuradas sobre o corpo. Nunca lembro de visto os cabelos de minha avó soltos, sempre cobertos por um lenço. No Brasil até os anos 50 e mesmo depois disso, uma mulher de calças poderia ser presa, e com certeza seria hostilizada na rua. E é ai que quero chegar.

    Acredito ser o Brasil um país constitucional, onde bem ou mal, funciona o império da Lei (ou deveria), há sempre o que se melhorar, mas se compararmos a linha do tempo, veremos que já foi pior, e bem pior. Existe na Constituição o claro direito de ir e vir, e o de nos portarmos conforme nos for conveniente e confortável. Graças a todos os deuses, não temos leis de costumes, que nos indicam o que vestir, o que comer, aonde ir. O que aconteceu na UNIBAN, vai além do lamentável, cai em um terreno muito perigoso, pois por um lado a universidade condena a vítima e valoriza o ato criminoso( preparem-se, a próxima vítima dos TaleBans furiosos pode ser sua filha). E por outro perpetra o ato nefando da violência contra a mulher, nossos jovens lamentavelmente estão eivados de um veneno que se chama machismo, onde um homem tem mais valor que uma mulher, algo que fere a Lei e o bom senso ao mesmo tempo, um câncer que já deveria ter sido extirpado a muito tempo do seio de nossa sociedade, mas o como nazismo e o preconceito, seus subprodutos tóxicos, parece que renasce todo dia como a cabeça de uma hidra de Lerna.

    Lembremo-nos, quando uma mulher é agredida, todas as mulheres o são.

  9. O que acontecerá com Geyse? « Diários de Gestão Says:

    […] Descobri um blog interessante que discutiu o assunto. Clique aqui. […]

  10. Walmir Says:

    Que sorte dessa garota.

    Se ela já pensava em mover uma ação em desfavor da UNIBAN por dano moral, depois dessa expulsão já está com ação ganha!!!!

  11. João Batista Drummond Says:

    A inteligência não é o forte da comunidade Uniban. Dizer que ela estava denegrindo a imagem da universidade foi o maior exemplo desta burrice coletiva.
    Quem denegriu a Uniban foram os alunos, funcionários professores, e a sua direção que não souberam avaliar e conter a situação.
    Não fosse a reação despropositada e sua divulgação, o desfile da Geyse com seu modelito curto, ficaria limitado aos recintos da universidade.
    E a burrice continuou quando a Uniban tentou afrontar a sociedade com suas teses ridiculas.
    A Uniban tem que pedir desculpas a Geyse e ao Brasil e depois ficar calada para ver se consegue superar esta crise e sobreviver as suas proprias idiotices.

  12. Guará Matos Says:

    No meu blog eu comento em dois posts, na minha visão, essa problemática toda!
    Dê uma lida e deixa um comentário, valeu!

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